quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Morfossintaxe Ambulante



Sou uma morfossintaxe de complexa análise:
Minhas orações são invertidas
Intercaladas, incompreendidas
Nada constante. Depende da fase.


De derivação imprópria minhas palavras advêm
Sou certamente hipotética
Semanticamente, poética
Possuo acentuações que ninguém tem


A paixão não é substantivo
É advérbio de tempo,
Tem sentido de sempre:
Sempre rima com combustível


Meu futuro é do subjuntivo
Sou léxico que muda como o vento
Meu tempo? Frequente!
Fragmentária e indivisível...


Os elementos coesivos de meu texto
Enlouquecem quem o tenta entender
Não há como me inserir em um contexto
Meu tópico frasal é viver


Minhas normas não foram abraçadas pela NGB:
Sou um dicionário de neologismos absurdos
Palavras são escudos
Nada em mim é o que parece ser


Sou morfossintaxe ambulante
Significação abundante
Escritora desta metalinguagem errante
Impossível de se compreender.

4 comentários:

Alexandre Luz disse...

Parabéns! Seus textos são ótimos! Posso ser seu fã?

Alexandre Luz disse...

Parabéns! Seus textos são deliciosos. Posso ser seu fã?

Amanda Santos disse...

Nossa!Me identifiquei!

Tatiana Rodrigues (Devaneios etc) disse...

Eu que sou sua fã! Adoro que leia meus textos. Obrigada!