domingo, 9 de outubro de 2011

Felicidade bêbada

Preciso beber para ser sóbria. Para adquirir esse direito que só os alcoólicos têm de dizer a verdade, de serem mal humorados. Porque vivo numa felicidade irreal, sorrindo o tempo todo, essa minha alegria bêbada que me cansa   a beleza e quem eu sou. E há essa essência escorpiana latente, batendo forte e querendo sair. Nasci bêbada feliz, bebendo leite. Completamente louca. Tenho que beber muito para ser bêbada séria e encarar as chatices desprezíveis de ser uma adulta de quase trinta anos.
Nasci para celebrar, para ser o bobo da corte, o motivo de risada, aquela que as pessoas apontam e tacham de lunática, louca, doida, embriagada. Mal sabem eles que quando bebo é que fico sóbria. E penso nos meus problemas e tenho aquela vontade louca de mandar para o kct quem não sabe ser louco com sobriedade. Odeio quem acorda e leva a vida a sério. Odeio quem julga as pessoas felizes que fazem piada para a vida ser mais leve. Odeio quem faz pose de intelectual.
Há pouquíssimo tempo descobri que faço parte dos intelectuais. Achei um dado interessante e apenas continuei a ser eu mesma e a tomar a minha cerveja com quem também quer celebrar a vida. E nessa descoberta, descobri várias pessoas que se julgam intelectuais, que excluem os outros por isso, que se acham melhores em alguma coisa. Conheço um monte de gente que é melhor que eu em um monte de coisas e não precisam intelectualizar nada para isso. Quanta bobagem!
Viver com simplicidade é bem mais louvável e deixa a vida bem melhor. Quando as coisas dão errado, estamos fortemente preparados: pelo menos a derrota vira poesia. E para os intelectuóides idiotas: vira martini, vira psicólogo, vira coisa de divã com sociologia e pseudo-sabedoria de coisa alguma. Vira mais um motivo para se fecharem e excluírem quem vive de verdade: o povo do cavaquinho e o povo do metal; o povo meio bossa nova e rock and roll; o povo do boteco com os amigos de sempre. E, olhem a ironia, são exatamente os que são extremamente mais sábios.
Não ligo mesmo para o que cada um faz da sua vida, contanto que não sejam carrascos de outros, pisando-os por qualquer motivo. Só abomino gente que sobe por interesse, que se baseia em futilidades, que olham apenas para o próprio umbigo. Só não gosto de quem implica com minha alegria de criança, com orgulho de que, nesse sentido, nunca vou crescer mesmo. Ainda acho o dia lindo - qualquer um-; ainda grito de felicidade; não tenho vergonha de expressar o que sinto. Por isso não envelheço, não crio rugas desnecessárias, nem preciso estudar qualquer coisa que termine com logia para me sentir inserida em sei lá o quê.
Eu vou tomando minhas doses de alegria, rindo de quem não entende que a vida passa; que amanhã, perdeu-se a oportunidade de ser um bêbado alegre por opção, e isso nem tem nada a ver com consumir álcool ou não. Conheço vários bêbados de alegria que só tomam Coca-Cola. Esees, com certeza, entederão meu texto. Os intelectuóides, não. E, aqui, em segredo, nesse quarto quente, adoro falar o que eles não entendem...

2 comentários:

Marcela Bittencourt disse...

Ah, muito bom!!
Muito você esse texto... E olha que te conheço bem pouco.
Escreva mais... Adoro passar por aqui! :)

Carlos Junior disse...

Mto bom prima!!! Viva os bêbados que sabem viver...